Ao receber o diagnóstico de hérnia de disco, muita gente já imagina que vai precisar de cirurgia, né? Mas essa não é a realidade da maioria dos casos. A pergunta “hérnia de disco precisa operar?” tem uma resposta que surpreende: na maior parte das vezes, NÃO. Hoje vamos conversar um pouco sobre esse assunto.
O que é a hérnia de disco, em palavras simples?
Entre uma vértebra e outra da coluna existe um “amortecedor” chamado disco intervertebral. Quando parte desse disco se desloca e pressiona estruturas próximas, como uma raiz nervosa, surge a hérnia de disco. Ela pode acontecer na região lombar (parte baixa das costas) ou cervical (pescoço), e nem sempre causa dor.
Por que a maioria dos casos melhora sem cirurgia?
Boa parte das hérnias melhora com tratamento conservador ao longo de algumas semanas. Isso costuma incluir medidas orientadas pelo médico, como manejo da dor, fisioterapia, ajustes de atividade e fortalecimento. O corpo tem capacidade de reabsorver parte da hérnia e reduzir a inflamação com o tempo.
Por isso, na ausência de sinais de gravidade, o caminho inicial costuma ser o tratamento não cirúrgico, reservando a cirurgia para situações específicas.
Quando a cirurgia pode ser indicada
A cirurgia entra em cena principalmente quando há critérios claros. Entre os principais sinais de alerta que exigem avaliação rápida e podem indicar procedimento estão:
- Fraqueza progressiva em uma perna ou braço (pé que “cai” ou tropeça).
- Dor intensa que não melhora com o tratamento conservador.
- Perda de controle da urina ou das fezes, ou dormência na região genital
- Déficit neurológico importante e persistente.
Fora dessas situações, a decisão é individualizada e sempre construída entre médico e paciente, considerando a intensidade dos sintomas e o impacto na vida.
Alternativas minimamente invasivas à cirurgia aberta
Entre “só remédio” e “cirurgia aberta” existe um caminho intermediário. Para casos selecionados de dor que não cede ao tratamento inicial, há procedimentos minimamente invasivos, como infiltrações e radiofrequência, que podem ajudar bastante no controle da dor.
O mais importante: avaliar antes de decidir
É importante saber que NENHUM exame de imagem sozinho, define a necessidade de cirurgia. Uma ressonância pode mostrar uma hérnia sem que ela seja a causa da dor e vice-versa. Por isso, o que nos orienta é a soma entre exame de imagem, exame clínico e história do paciente.
Perguntas frequentes
Toda hérnia de disco dói?
Não. Muitas pessoas têm hérnias visíveis em exames de imagem e nenhum sintoma.
Quanto tempo dura o tratamento conservador?
Varia conforme o caso. Muitos quadros melhoram ao longo de algumas semanas com acompanhamento adequado.
Se eu operar, a hérnia pode voltar?
Existe possibilidade de recidiva, como em qualquer procedimento da coluna. Por isso a indicação criteriosa e o acompanhamento são fundamentais.
Sobre o autor
Dr. Hugo Akio — Neurocirurgião | CRM-PR 38.743 | RQE 31.925
Neurocirurgião com subespecialidade em Neurocirurgia Funcional, membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Funcional (SBENF). Atua em Curitiba (PR) no tratamento da doença de Parkinson, dor crônica e dores da coluna, com foco em avaliação individualizada.
Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui a consulta médica presencial, o diagnóstico ou a prescrição individualizada. Cada caso exige avaliação específica.